Este tema já foi motivo de reflexão aqui mesmo nesse blog, que em seus 12 anos vem tentando cumprir um papel social relevante em Miracema. Não somos órgão de imprensa, não somos jornal, como sempre dissemos, jornal em nossa cidade só o Dois Estados, mas tentamos ser, nesse tempo, um espaço para refletir, para fazer pensar. E nesses anos, esse momento de reflexão é cada vez mais raro. Ninguém tem tempo para pensar.
Temos noticiado, nesses anos, o abandono do Noroeste Fluminense, que não tem acesso por boas estradas à capital, não tem novas empresas e as poucas que sobrevivem estão morrendo. O Noroeste é uma das regiões mais pobres do Brasil.
Na maior pandemia do mundo, que já nos atingiu, não foi diferente. Mesmo com o pedido clamoroso dos prefeitos da região, das demonstrações junto ao Estado, de que aqui não temos hospitais, o Estado não foi sensível para abrir no Noroeste, um hospital de campanha para tratar pacientes do COVID-19.
Para onde irão nossos pacientes? Itaperuna é referência e tem um hospital em pleno funcionamento. Mas ele comportaria pacientes oriundos de uma população de 323 mil habitantes? Lógico que não. Se comportar, serão os pacientes de lá, moradores da cidade, não dos municípios vizinhos.
A covardia é tanta, que o Estado construirá hospitais de campanha em Casimiro de Abreu e na vizinha Nova Friburgo, além de uma grande unidade em Campos e outras tantas no Rio e em Niterói. Casimiro fica há poucos quilômetros do grande Rio, também.
Enquanto o Noroeste, fica há muitos quilômetros, não tem estradas e o trajeto é perigoso e demorado, passa por outro Estado e traz perigo para quem nele trafega.
Iríamos para o hospital de Campos? Também não. Lembramos que Campos cidade de mais de 500 mil habitantes e centraliza uma região muito populosa, onde está incluída a cidade de Macaé e outras tantas.
Os parcos recursos de hospitais como o de Miracema, a unidade de Laje do Muriaé e de Santo Antônio de Pádua trabalharão acima de seus limites e quando se perceber as muitas mortes, já será tarde, como está sendo com Manaus, cidade que, como o Noroeste, fica numa região esquecida do Brasil.
Enquanto o Brasil cuidava de Rio e São Paulo, esqueceram de Manaus. E os hospitais de lá estão abarrotados, não há respiradores e o pouco que o Ministério da Saúde dispõe, pra lá tá sendo enviado às pressas, porque Manaus foi esquecida no planejamento dos governos.
Pobre do povo do Noroeste Fluminense!

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