sábado, 12 de março de 2011

Onde o carnaval é bom? - José Souto Tostes


O carnaval é bom onde se paga para ir e para voltar. Muitas vezes em veículos velhos, sem conservação, que consomem muito combustível e com o ar condicionado com defeito. O carnaval é bom quando esta ida e vinda é feita num veículo que cabem 4 e viajam 6.

O carnaval é bom onde se paga para acordar, para despreguiçar e para dormir. É melhor quando se dorme apertado, num quarto não muito limpo, de preferência no chão, num fino colchonete. Fica melhor em casas pequenas, onde cabem 10 e dormem 30. Onde os quartos são divididos para "homens" e "mulheres". Nesses quartos, nem todos tomam banho. E pior, alguns chegam após ingerir grande quantidade de bebida alcoólica e....

O carnaval é bom onde a comida é escassa, não há coador de leite (quando há leite), o café tem gosto duvidoso, é tomado em copos de "geléia" ainda dotados do rótulo usado enquanto havia produto dentro dele. Aliás, quando se pode falar em café da manhã.

O carnaval é bom onde não há chuveiros elétricos em perfeito funcionamento, onde o banheiro é dividido por vários, e antes de usá-lo, pela manhã, na hora do aperto, temos que enfrentar uma longa fila.

O carnaval é bom onde as "bandas" só tocam um duvidoso "axé", onde o serviço de som é de qualidade duvidosa e os frequentadores pouco confiáveis. Há risco de assaltos na rua e na casa onde o bando dorme por algumas horas (ou descansa o esqueleto). Nesse caso o carnaval é melhor ainda, porque não há nada como um risco e temor de assalto num dia de carnaval. Segurança nessas horas só traz desconforto...

O carnaval é ruim quando estamos em casa, dormindo em nossa gostosa cama, onde temos um delicioso café da manhã numa cidade segura, onde só encontramos amigos e a paz é certa. Nessas cidades criticamos tudo, da "banda" à decoração. Da animação à fantasia dos foliões. Até a chuva constuma ser culpa de nossas derrotas pessoais.

O problema é que quem não viaja para aquele outro carnaval, fica aqui com péssimo humor, indisposto com tudo que lhe é oferecido, principalmente conforto, segurança, amizade, paz e bons sambas. Além de bebida gelada e com preço razoável...

10 comentários:

Anônimo disse...

Caro José, é isso aí. Carnaval é muito mais espirito do que corpo.

Profª Juliana disse...

Vc foi muito feliz no texto, divina a sua inspiração, mas vc sabe tão bem quanto eu, que tem gosto e gente pra tudo nesse mundo, né? Fazer o que se tem gente que só gosta de reclamar, a esses só restarão o nefasto ato da murmuração.
Juliana rodrigues

Mônica disse...

Parabéns Zé!!!!! Exelente matéria!!!! Você falou tudo em poucas palavras.
Mônica

Anônimo disse...

SÓ ESQUECEU DAS MORIÇOCAS OU PERNILONGOS, RISCO DE DENGUE, NENHUMA ESTRUTURA DE SAÚDE,TUDO EM PREÇOS IMPRATICÁVEIS,PRAIAS CHEIAS, BARES LOTADOS, PADARIAS IMPRATICÁVEIS...
POR ISSO QUE EU E MINHA FAMILIA CURTIMOS É MIRACEMA

Anônimo disse...

o texto nos mostra que temo que valrizar mais o que temos em casa.
viva MIRACEMA!

LOURDINHA

Adilson Dutra disse...

Onde é que eu assino isto? Sollon manda um abraço e diz que gostaria de assinar o texto também. Perfeito, o Ralph chegou a comentar que eu o teria escrito, não foi, mas confesso que fiquei com ciúme, o texto é ótimo e tudo que penso sobre o tema.
Valeu.

Anônimo disse...

Exelente texto, ótimo para calar a boca de alguns críticos.

Raul

Miracema disse...

Caro Adilson e Raul,

O texto é realmente interessante, mas não foi do Adilson.

Mande um abraço ao Solon, diz que qualquer dia estarei aí em Campos para um café, já que ele não anda tomando chopp.

abçs

José

Julio disse...

ARTIGO DIGNO DE PREMIO.É O Q MUITA GENTE PRECISAVA LER.

JULINHO

Anônimo disse...

José Souto,
Receba meu parabens pelo texto. Não tenho o hábito de entrar no computador nos finais de semana e perdi essa preciosidade.
É a mais pura verdade. O Miracemense tem que valorizar o nosso folclore, nossa cultuira e nossa paz do carnaval.
Quer coisa melhor que paz e segurança?
Isso já é tudo.
Ou você ouviu falar em alguém morto ou assaltado no carnaval?
Em cidades litorâneas são muitos casos de violência.

Maurílio.