segunda-feira, 21 de abril de 2008

HISTÓRIA DE MIRACEMA VI: ENTREVISTA COM ADILSON PICANÇO DUTRA


O dia em homenagem ao mártir da Incofidência Mineira será de Adilson Picanço Dutra, jornalista miracemense, um dos fundadores da Rádio Princesinha do Norte , onde criou e dirigiu a primeira equipe esportiva miracemense a fazer cobertura de um jogo de futebol direto do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Radicado na cidade de Campos dos Goytacazes, aposentado do BANERJ, já atuou em várias emissoras daquela cidade, da televisão ao rádio, passando pelos grandes jornais campistas. Em Campos, Adilson é tratado como campista, apesar de sempre lembrar, onde está, que nasceu em Miracema. Ganhador de vários prêmios por sua atuação como repórter e comentarista esportivo, destaca-se o Bola de Ouro, o maior do mundo esportivo no Brasil. Muito próximo de grandes desportistas como Célio Silva e jornalistas, como o miracemense José Maria de Aquino (SP), está sempre muito bem informado das andanças futebolísticas em todos os cantos do Brasil. Há dois anos atrás conheceu, como convidado de uma grande emissora de televisão, os estádios europeus, numa turnê inesquecível para ele, devidamente registrada por suas lentes. Em Miracema, foi escolhido Cidadão Ausente nº 1, por sua atuação no mundo da imprensa.


Hoje Adilson Dutra, como é conhecido, assina uma coluna num dos maiores jornais campistas, o Diário de Campos e no miracemense Dois Estados, além de comentários para a rádio Diário FM, ao lado de um dos seus orgulhos, seu filho, também jornalista, Leandro. Além disso, mantém um site na internet, especializado em esportes e um blog, onde comenta os campeonatos locais e nacionais.


1) De que personagens, da história de Miracema, você tem lembrança? Ou seja, ao falar na história de Miracema (antes ou pós-emancipação) que nome ou imagem vem à sua memória? Justifique a escolha.


A melhor história da história de Miracema, no ponto de vista de um apaixonado pelo rádio, não poderia deixar de ter uma emissora de rádio no contexto. A melhor história da história de Miracema está dividida em duas etapas, antes da Rádio Princesinha e depois da Rádio Emissora de Miracema, que teve sua atividade encerrada na década de 60. Acho que a primeira pergunta eu respondo com este preâmbulo, a parte da história da cidade que me chamou a atenção foi a era do rádio. Na Rádio Emissora de Miracema eu aprendi a gostar do rádio e pretendia fazer deste veículo a minha profissão, em um futuro próximo, porém, tem sempre um porém, a empresa não foi lucrativa e, como quase tudo na nossa terrinha, fechou as portas e com isto meu sonho foi adiado. Realização mesmo só duas décadas depois, com a chegada da Rádio Princesinha do Norte, criada pelo então deputado Luiz Fernando Linhares, e, após o seu falecimento, gerenciada pelo Orlando Mercante, com o apoio financeiro da família Mercante.

2) Se você tivesse 10 minutos para relatar a história de Miracema a alguém. Que fato você destacaria?


Falar sobre Miracema é fácil, mas com apenas dez minutos seria impossível descrever até a minha história na cidade. Dez minutos para narrar a trajetória de nossa cidade é muito pouco. Eu, por exemplo, usei o dobro deste tempo na Rádio Sociedade, de Maceió, contando, para um ex-trabalhador da Usina Santa Rosa, um pouco da história de Miracema.Era um domingo, dia de futebol em Campos, a abertura da jornada estava prevista para às 15h. Cheguei cedo ao Godofredo Cruz, como sempre, levando comigo todo o material de trabalho e uma gama de informações sobre a partida, Americano x CRB. Ao pisar no estádio um companheiro de Maceió me solicitou um favor:"A Difusora liberou um funcionário para nos ajudar no jogo de hoje, pode ser você?" Aceitei na hora e fomos para a cabine. Ao chegar na cabine o narrador me apresentou como "um companheiro de Campos", no que foi rechaçado e informado que o companheiro aqui era de Miracema, distante 150km de Campos e que estava a trabalho e coisa e tal. Abrimos a jornada e, para minha surpresa, um telefonema foi colocado no ar."Eu sou neto de Manoel Ambrósio, alagoano com passagem por Miracema, ele trabalhou na Usina Santa Rosa, levado por Manoel Frazão, na década de 50".Feita a apresentação o cidadão, lá em Maceió, fez questão de colocar o seu avô na linha e uma prosa, de pelo menos meia hora, interrompeu a transmissão esportiva. O jogo começaria às 17h, e por isto tivemos tempo suficiente para falar da Usina, do Banco de Crédito Real, do time da Usina, do Altino, do Frazão, da venda, infelizmente, da empresa e de tantas pessoas ligadas à nossa terra. Seu Ambrósio era amigo do Vicente Dutra, jogava sinuca do bar em frente à prefeitura, era frequentador assíduo do Bar do Vavate, onde também exibia seu talento com as bolas de bilhar. Este homem me proporcionou uma verdadeira viajem por nosso município, falando com desenvoltura e lúcido como um garoto de dez anos. Foi um tempo gostoso, onde as comparações do passado com o presente foram a tônica. O passado de Miracema é brilhante, o presente é uma lástima e ofuturo é duvidoso, dizia eu naquela ocasião.Fugi do objetivo? Talvez sim. O que quis dizer com este breve comentário é que a terrinha está vivendo apenas do passado maravilhoso que teve. Aqui a história é bela, e, preste atenção, tudo se transformou. Acabou a Rádio Emissora de Miracema, a Rádio Princesinha teima em sobreviver, a Usina Santa Rosa foi vendida, o Vicente Dutra se foi, assim como o seu Bar da Praça, o Vavate também faz companhia ao velho Vicente, e, sua sinuca é roteiro do passado.Eu tive, meu caro José Souto, meus dez minutos para falar de Miracema e sua história. Falei de um tempo em que o progresso era visível e a cidade tinha um futuro promissor. Tempo em que o Ribeirão Santo Antonio era "nadável", apesar do vinhoto jogado pela usina, tempo em que os homens tinham o que fazer, em termos de trabalho e lazer, políticos que não recebiam salários e faziam pela cidade, clubes funcionando a todo vapor, com bailes semanais e grandes orquestras visitando mensalmente os seus salões.Um tempo em que o futebol, se não era brilhante, pelo menos apresentava grandes jogadores, como Lauro Carvalho, Milton Cabeludo, Rubinho Camelo, Brazinho, Silvinho, Emanoel e tantos outros garotos prodígios que o Estádio Plinio Bastos de Barros viu crescer e morrer naquela década de 60. Aquele período, lembrava-me o velho Ambrósio, o prefeito Jamil Cardoso criou a exposição agropecuária, mas ele, já cansado das privações pós fechamento da usina, já estava de partida para sua terra natal. Contei que a expo continua, mas não com o brilho daqueles tempos, hoje a cidade quer show e barracas com chope e churrasco, naquele tempo se via animais e produtos de nossa cidade.


Saudosismo? Não, saudades.

7 comentários:

Unknown disse...

Quando eu era criança adorava comer os pasteis do seu vicente durtra

Postador disse...

Eu não comi os pastéis do "seu" Vicente Dutra, mas já sinto seu gosto só de ouvir falar. A entrevista do Adilson é uma viagem numa Miracema que já ficou perdida no tempo.
Parabéns Adilson, pelo amor que você expressa por nossa terra. E também por sua vontade de vê-la cada vez melhor.

Anônimo disse...

Faço minhas as palavras do José, esse desejo que os miracemenses compartilham de ver Miracema cada vez melhor... é contagiante e nos faz crer q esse futuro chegará com mudanças radicais na atual situação do município.

Otto Guilherme Moura disse...

Comentar algo sobre o Adilson me dá um aperto no coração por vários motivos, pelo amigo que sempre foi, pelo marido e pai sempre presente, pelo grande comentarista esportivo que é, e muitas outras coisas que se fosse enumerar, ficaria horas por aqui escrevendo. Ah! esquecí de mencionar um fato importante, foi o cantor que escolhi para defender minha música no Festival da Canção de Miracema. Bem amigos do Blog, o Adilson pelo que observo, vai se tornando uma lenda viva da história conteporânea de Miracema. Ex-jogador de futebol, relembro, compassagens até pelo Vasco da Gama, mas que se destaca também em outros esportes, como Basquete e Volei...Grande Adilson, admirável amigo, espero que paulatinamente esteja escrevendo aquele livro sobre suas históricas experiências, que não são poucas. Bem amigos, já falei demais para o meu tamanho so tenho que parabenizar ao Blog, por ter lembrado de Adilson para ent revista, e ao Adilson por permitir minha amizade.
Fui

Anônimo disse...

Pois é esperávamos uma nova entrevista hoje e nada...rs

Postador disse...

Angeline,
Infelizmente hoje não foi possível editar a entrevista com o professor Frederico Siqueira, pois tivemos um dia atarefado.
Pedimos desculpas, mas amanhã ela estará no ar.

André Alvim disse...

Grande Adilson!!Mais uma hist�ria saindo de sua mem�ria.Quanto j� aprend� com voc� desde o nosso tempo na R�dio Princesinha do Norte.Espero te ver em breve para ouvir mais um pouco dessa sua mem�tia.Grande abra�o, Andr� Alvim o D�...